what-I-saw-in-the-water-or-what-the-water-gave-me-1938-xx-private-collection

 “O que eu vejo na água ou o que a água vê em mim” Frida Kahlo 1938

O sábado é de Lua em Escorpião. Pedro Almodóvar nasceu sob essa Lua, a que se agarra as piores memórias, a que se alimenta do lado mais obscuro do humano. E a certeza do pior é o veneno que mata as chances do porvir.

A quadratura com Vênus em Leão compõe um cenário digno de Almodóvar: a desconfiança, o ciúme, mesmo que sejam apenas memórias do que já foi, turvam a realidade com seu veneno.

O dispositor da Vênus, o Sol, está conjunto a Mercúrio em Virgem e a Dama da noite logo os alcança.

A expectativa da perfeição abre caminho às decepções, a certeza, orgulho da razão, cega o discernimento lógico e reforça o que já se tinha em mente mesmo antes de qualquer coisa acontecer. “Quem semeia vento colhe tempestade”.

No fim da tarde Mercúrio estará no coração do Sol, em Cazimi, dignidade do planeta que fica a 17′ (dezessete minutos) do Sol. Abu Ma’shar disse que “nesse momento a Estrela é similar a um homem que se purifica e, por consequência, não tem força na purificação, mas ele depois recupera a sua saúde.”

Talvez o Cazimi seja um insight, um lampejo de entendimento sobre a verdade das coisas. Mercúrio em retrogradação, afastando-se da combustão, diz que é preciso voltar um pouco e rever os passos. Ainda vai um tempo até que seja possível digerir, conseguir pôr em palavras o que viu sentado à mesa com o Rei.