Vênus em Leão

A Vênus já está em Leão. No signo fixo do Fogo, buscando dominar situações ou ambientes, Vênus usa o feminino para se colocar no centro das atenções.
Ter a Vênus em Leão não significa ser a Vênus em Leão.
Duas coisas importantes, me refiro aqui ao feminino venusiano, que difere do lunar. A outra coisa é que, de forma geral, um planeta só vai indicar características de personalidade se for o regente do Ascendente ou se estiver ali posicionado (com exceção da Lua).
As características da Vênus em Leão vão aparecer em situações específicas, determinadas pela casa onde estiver posicionada e também, ainda que de forma menos evidente, nos assuntos das casas que estejam sob sua regência. Um exemplo caricato para tornar mais claro: se estiver entre amigas e um conhecido apresentar um amigo, a Vênus em Leão na casa 7 vai usar seu feminino venusiano para se colocar no centro das atenções; na casa 5 ela poderia usar alguma atividade artística como veículo para isso.

No céu – A Vênus seguirá em Leão até 21 de julho.

THUBAN – Goethe e Fausto

Fausto, personagem da principal obra de Goethe, é um homem “motivado pela busca incessante por conhecimento procurando compreender totalmente o mundo no qual se encontra”. [1]
Goethe é um homem que tem a estrela Thuban conjunta ao Sol no MC do seu mapa natal.
Qual a ligação? Vamos por partes.

Thuban
Thuban é a estrela alfa da constelação de Draco – ou Dragão. Terrestre e aquático, ctônio e celeste, o Dragão tem sua figura mítica identificada à da serpente.
A estrela é associada ao mito de Ladón, o dragão poliglota de muitas cabeças, escolhido para vigiar o jardim das Hespérides, mais especificamente os pomos de ouro – frutos da árvore com a qual Gaia presenteou Hera na ocasião de seu casamento com Zeus – que davam imortalidade aos que dele comessem.
O Dragão/Serpente, uma árvore e seu fruto proibido…
Na mítica bíblica, Adão e Eva, convencidos pela Serpente, comem o fruto proibido – o conhecimento, que tem seu duplo no fruto da árvore da vida – a imortalidade.
Nesses e em outros mitos , a figura do Dragão/Serpente associa conhecimento à imortalidade, sendo esse o fruto que, como estabelecido por lei divina, deveria permanecer do jardim dos deuses, fosse ele o Edén ou das Hésperides.
Essa é uma associação que remete a Revolução Agrícola, momento – na cronologia da evolução do sapiens – em que o homem deixa de ser um nômade coletor, vivendo do que a natureza oferece, para se estabelecer num local fixo, domesticando alguns animais e a terra – de modo a fazer com que frutifique o que e onde ele quiser. O conhecimento das leis da natureza é a ferramenta usada para sua dominação. Dominar a natureza, atividade na qual o homem continua seu avanço, em última instância é a conquista da imortalidade.

Thuban no mapa de Goethe
O mapa natal de Goethe tem o Sol conjunto à Thuban no MC – indicação de que ele mesmo, assim como Faus-to, tem honra e vontade, ligadas ao conhecimento. O que me parece natural, considerando que toda criação tem o criador como matéria primordial. Além disso, Fausto foi uma obra que ocupou toda sua vida, sendo que por vontade dele, a segunda parte foi publicado só após sua morte.
A recepção mútua (antiscion) entre Sol e Mercúrio, regente da Fortuna, reforça a ligação de Thuban à pessoa de Goethe.

Thuban e Fausto
O mais interessante é que essa ligação aparece na profecção e na RS de 1831 (28/08/1831 a 28/08/1832), sendo 1832 o ano da publicação da segunda parte da obra.
A profecção de 1831 – ano em que faria 82 anos – chega à casa XI do mapa de Goethe, fazendo do Sol regente do ano, ativando assim, a estrela conjunta a ele – Thuban.
Na RS desse mesmo ano, o Sol está conjunto a Saturno, planeta no ascendente do radix, onde é regente da casa III e está em recepção mútua com o regente do Asc – Marte – que está nessa casa. Na RS, Marte está conjun-to, por signo, ao Sol e Saturno, e em conjunção ao MC natal.
O Asc radix torna-se a casa III da profecção e a III do radix a V da profecção, conectando Goethe, sua escrita e sua obra.

[1] Carolina Marcello Carolina Marcello Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes.