mapa astral vinícius de moraes horóscopoCLASSIFICAÇÃO SISTEMA RODING
Classificação: AA [2)
Fonte: Acervo da Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro.
A fonte dos dados é um certificado de nascimento ou registro.

 

Astrologia Tradicional e o Almutem Figuris
Terei como fio condutor da trama tecida no céu de Vinicius o que se denomina Almutem Figuris, o senhor da carta. Almutem deriva da palavra Árabe Almutez que significa o vitorioso. O Almutem é o “espírito” do mapa, a força propulsora. Aquele que indicará em seus aspectos e silêncios a energia mobilizadora do mapa.
O Almutem, como é aqui significado, se assemelha ao daímon das obras de Platão onde é descrito como guia das almas, como aquele que conduzirá o individuo ao problema do seu destino.
Na República, Livro X Platão escreve que Láquesis, filha da Necessidade, expõe às almas o critério de escolha da nova existência e que cada alma escolherá tanto o daímon que a acompanhará, quanto a vida que levará. Sua função será guardar aquela vida e fazer que se cumpra o que escolheu. O daímon é descrito em Platão como responsável pelo cumprimento do destino escolhido, não tendo, no entanto, poder de alterá-lo ou interrompê-lo o que o diferencia das Moiras.
O daímon, ou o Almutem Figuris, como chamarei aqui, é o intermediário entre os deuses e os homens.
Mas o que representa o Almutem Figuris no mapa? Ben Ezra descreve o Almutem Figuris da seguinte forma: “Pero el testimonio más fuerte es el del planeta que domina sobre todo el círculo, que los árabes denominan almuten, y hemos de considerar su estado, ya que su testimonio equivale em la cualidad de su estado a los recibidos de todos los demás.” E ainda que existam outras possibilidades, é dele o embasamento utilizado nesse artigo para o cálculo do Almutem Figuris.(3)                                                                                  O Almutem da natividade dará o testemunho mais importante no mapa, sendo utilizado também o testemunho do Almutem do Almutem – o planeta “poderoso” dentro do Almutem – como testemunho importante para análise. Na análise das casas, será do Almutem de cada uma delas o primeiro testemunho(4), sendo dado aos seus regentes o papel de segundo testemunho. Seguindo a Astrologia Tradicional considero na leitura do mapa apenas os 7 planetas clássicos.

Vinicius, o construtor das mil identidades do amor
Quem poderia imaginar que Vinicius de Moraes, o boêmio mais boêmio do Brasil, amante do amor pelas mulheres, fosse “filho” de Saturno. Sem olhar, qualquer um apostaria na sedutora Vênus como a senhora do seu destino. Mas não, Vinicius de Moraes, diplomata, poeta, amante e compositor, tinha Saturno como Almutem Figuris. Saturno o senhor do tempo, que nos ensina “que nada renasce antes que se acabe e o Sol que desponta tem que anoitecer ”(5). Saturno é a estrutura, o tempo das coisas. E como senhor do tempo Saturno se faz música. Da métrica musical Saturno é o arquiteto.
Saturno em Gêmeos dá engenhosidade com a construção do discurso, das palavras. Ao vestir-se com as roupas de Gêmeos, Saturno abre o leque de suas possibilidades, podendo atuar aqui e ali. E Vinicius foi diplomata, poeta e músico.
Saturno em Gêmeos na Casa IX levou Vinicius a viver boa parte de sua vida no exterior, tanto a carreira diplomática como a artística, levaram sua vida para fora do Brasil.
A casa em que Saturno se hospeda em seu mapa lhe deu a carreira diplomática; advogado, representante do Brasil no exterior. A carreira diplomática sempre lhe serviu de forma estratégica – o Almutem de Saturno é Mercúrio em Escorpião na Casa 2 – e no princípio era de onde tirava o sustento.
A necessidade de encontrar algo maior para explicar a vida também lhe veio da Casa IX. Desde cedo buscou na religião um descanso para as angústias do viver. Foi fortemente marcado pela formação espiritual aplicada pelos jesuítas no Colégio Santo Inácio, e seu primeiro poema publicado, em 1932, “A transfiguração da montanha”, era um poema bíblico, composto como um reflexo poético dos evangelhos. O poema foi publicado na revista católica “A ordem”.
A força da religião em Vinicius fica mais clara quando se vê Saturno como fundador de sua identidade (Saturno Almutem da Casa 1); Vinicius fundou sua identidade na religião, e num primeiro momento viveu as angústias e os freios que a religião católica lhe impunha. Apenas mais tarde e por influência de Gesse Gessy, uma de suas mulheres, foi que Vinicius encontrou-se no Candomblé, religião que faz da paixão algo sagrado quando coloca seus Orixás sujeitos à ela.

 

vinicius

Canto de Ossanha, no violão Baden Powell.  Imagem do documentário “Vinicius de Moraes”.

 

 

“O canto da mais difícil
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor”(6)

 

 

 

Ele mesmo disse, sobre sua relação com a religião: “fui salvo pela mulher”(7). A mulher aparece em sua vida como um Sol. O Sol em Libra, que ascendia no horizonte em seu nascimento, surge como o segundo elemento a marcar sua identidade; triangulando com Saturno parece lhe dizer que sem o outro (Sol Almutem da Casa VII e XI), ele não seria ninguém. E Vinicius sabia muito bem disso. Em “Samba em Prelúdio”, escrito em 1962, fala desse outro que o funda.

“Eu sem você não tenho porque
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
jardim sem luar
luar sem amor
amor sem se dar
E eu sem você”
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém.”

Há nesse ponto, um segundo testemunho do ponto fundador de sua identidade dado pelo Sol, que como regente da VII e da XI se hospeda na Casa I.
Mas Saturno fez dele mais que diplomata; como Almutem da Casa V deu a ele criatividade na construção das palavras. Criatividade impulsionada também pela presença da Fortuna em Peixes(8) , na mesma Casa V; a fortuna dos músicos, poetas e cineastas.
Ali, no domínio na quinta casa, Saturno fez dele também um Don Juan. Depois de declarar-se salvo pelas mulheres jamais esteve sozinho por muito tempo, costumava largar um casamento por outro, tendo se casado nove vezes e tido cinco filhos. Com o Sol atuando nos termos(9) de Vênus – em Virgem na Casa XII – apaixonou-se sempre por mulheres que exigiam da paixão o segredo; em quatro de seus nove casamentos, sempre antecedidos de uma ardente paixão, Vinicius se envolveu com mulheres muito jovens ou casadas, que precisavam esconder a relação do mundo.
E apesar dos inúmeros casamentos, Vinicius amava como Saturno que era: “Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso.”(10)                                                                                                                                                  Esse segundo testemunho, dado pelo Sol, como regente da XI aponta para o fato de que não só os casamentos fizeram de Vinicius o homem que foi. Sua carreira musical foi marcada por intensas e reconhecidas parcerias: Tom Jobim, Carlos Lyra, Edu Lobo, Chico Buarque, Baden Powell e Toquinho. Vinicius jamais foi Vinicius sozinho!

2

Insira uma legendaTom Jobim, Vinicius de Moraes, Miúcha e Toquinho, em show no Canecão, em 1977. (12)

“Eu não ando só,
só ando em boa companhia
com meu violão,
minha canção e a poesia.”(11)

 

 

 

Essas associações de Casa XI estão diretamente ligadas a sua profissão, ao que lhe trouxe reconhecimento, já que o mesmo Sol em Libra que triangulando com Saturno em Gêmeos lhe faz diplomata, religioso e amante, ao triangular com a Lua em Gêmeos, conjunta ao seu Almutem, lhe faz famoso (Lua Almutem da X) por seu talento poético.
Há ainda outro forte aspecto que liga seu Almutem Figuris, Saturno, a Casa X: Saturno faz antiscia(13) com o MC.

A música e a poesia em suas origens ou O início e o fim
Saturno em Gêmeos nos termos de Marte; a construção de sua fala se dá como Marte lhe possibilita. É o que lhe move.
Marte é Almutem da IV: Vinicius tem a poesia e a música em suas origens, em sua família. Da família materna veio-lhe a música, da paterna a poesia. Marte em Câncer, movido pela emoção, pela memória. Um Marte que se comporta como Mercúrio determinar (nos termos de Mercúrio). Mercúrio é aquele com asas nos pés, o que veio ao mundo para fazer do divino, palavra.
Como Almutem da IV, Marte testemunha também sobre o fim de Vinicius, fim daquilo que foi, que construiu. Testemunha sobre a memória que ficará. E com Marte no Meio do Céu Vinicius continuará sempre reconhecido pelo. Sua morte não o enterra.
Mercúrio, no entanto, é o principal testemunho sobre o inicio e o fim de Vinicius. Mercúrio é seu início e seu fim! Como Almutem do Almutem e Almutem da Casa IX, abriga o seu início; já que Saturno se hospeda ali, ele, o Almutem do mapa e da I. Como Almutem da Casa XII abriga também o seu fim; estando Vênus hospedada ali, ela, Almutem da VIII.

 

As estrelas de Vinicius(14)
Para que nada lhe faltasse na sinalização da vida artística as Moiras coloriram o céu de Vinicius com estrelas.
Alpheca, a alfa da coroa, conjunta a Lua por declinação, destinou-lhe definitivamente o talento poético como profissão. Deu-lhe também a permissividade erótica dos poemas ao feminino, dos muitos casamentos, da nudez sem nenhuma vergonha.(16)
São essas qualidades que lhe trazem reconhecimento (Lua Almutem da X). A Lua, banhada pela luz de Alpheca, ganha ainda mais força por ter Saturno, o senhor da métrica e da dor e Almutem do mapa de Vinicius, segurando-lhe a mão.
Alpheca é a coroa dada por Dionísio para Ariadne, filha de Minos de Creta. Ariadne representava o amor, a única força capaz de vencer a fome de paixões do insaciável Minotauro. Teseu sabia que só com a ajuda dela poderia derrotar o temido monstro, e prometeu-lhe casamento. Ariadne, então, deu-lhe uma espada e um novelo de linha (fio de Ariadne), para que ele pudesse achar o caminho de volta, do qual ficaria segurando uma das pontas. Vitorioso, Teseu esperou que Ariadne dormisse e a abandonou. Encontrando Ariadne em desespero, Dionísio a consola e a toma como esposa. Dá-lhe uma linda coroa de ouro como presente de casamento (Alpheca), cravejada de pedras preciosas, que, a pedido dela, ele atira ao céu quando Ariadne morre.(16)

De acordo com Ptolomeu é da natureza de Vênus e Mercúrio.
Alphecca dá honra, dignidade e capacidade artística. Mas como todas as estrelas venusianas também pode ter seus efeitos indesejáveis. Segundo Firmicus Maternus Alphecca indica variedade de atividades prazerosas por um indivíduo que secretamente se envolve em casos de amor.
“E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.” (17)

O dom artístico e mais especificamente musical aparece também pela conjunção (declinação) de Alphard, a alfa de hydra, com seu ascendente.
A Hydra tinha corpo de dragão e sete cabeças que se regeneravam se cortadas. Era tão venenosa que matava os homens apenas com o seu hálito. Foi derrotada por Hércules em seu segundo trabalho.
Ptolomeu afirma que é da natureza de Saturno. Segundo Vivian E,Robson dá sabedoria, musical e apreciação artística, o conhecimento da natureza humana, fortes paixões, a falta de autocontrole, a imoralidade, atos revoltantes e uma morte súbita por afogamento, envenenamento ou asfixia.
Rigel, a beta de Órion, também conjunta (declinação) ao seu ascendente anuncia seu extraordinário talento. Órion o caçador capaz de dominar todos os animais tem Rigel no pé esquerdo e segundo João Rodrigues Acuio representa aquela que dará sustento e estrutura ao gigante.
De acordo com Ptolomeu e Lilly é da natureza de Júpiter e Saturno.
Associo Rigel à importância que Vinicius teve no nascimento da Bossa Nova, foi ele uma das estruturas desse grande movimento musical que mudaria para sempre a história da música brasileira.
Vega, ainda que a 3 graus de Júpiter na Casa IV (longitude) parece pertinente: Vinicius tem sua fala (Casa III que tem Júpiter como Almutem), na poesia e na música, atrelada ao amor, atrevo-me a dizer que ao tema de Orfeu. A música e a poesia estavam em suas origens; dizem que Vinicius aprendeu a cantar antes de falar. Sua ligação com Vega vai mais longe: Vinicius reescreveu a história de Orfeu, um Orfeu negro(17). Porque afinal Vinicius era o branco mais preto do Brasil(19). Transportou a história de amor de final trágico entre Orfeu e Eurídice para as favelas cariocas, para um feriado de carnaval. No musical, Orfeu, um sambista que vive no morro, filho de um músico e de uma lavadeira, apaixona-se por Eurídice. A paixão entre Orfeu e Eurídice desperta o ciúme e o desejo de vingança em Mira, ex-namorada do sambista, que leva Aristeu, apaixonado por Eurídice, a matá-la. Numa terça-feira, último dia de Carnaval, Orfeu desce do morro e vai até o Clube Os Maiorais do Inferno depois de Eurídice estar morta. Já ensandecido, ele vai procurar Eurídice para ver sua amada, tentar encontrá-la novamente. De volta à favela, solitário, ele é morto por Mira e pelas outras mulheres açuladas por ela.
No mito original Orfeu apaixonou-se por Eurídice e casou-se com ela. Mas Eurídice era tão bonita que, pouco tempo depois do casamento, chamou a atenção de um apicultor chamado Aristeu. Quando ela recusou suas atenções, ele a perseguiu. Tentando escapar, ela tropeçou em uma serpente que a mordeu e a matou. Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando sua lira, foi até o Mundo dos Mortos, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro Caronte a levá-lo vivo pelo rio Estige. A canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões. Seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados. Encontrou muitos monstros durante sua jornada, e os encantou com seu canto. Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua esposa, a deusa Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu seu desejo. Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos. Mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol. Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele não olhou nenhuma vez para trás, até atingir a luz do sol. Mas então se virou, para se certificar de que Eurídice o estava seguindo e a perdeu para sempre.
Vinicius foi Orfeu tentando salvar seus amores do inevitável fim com música e poesia, compondo e dedicando sua poesia à amada. Vinicius foi Orfeu em cada uma das oito vezes em que duvidou que sua amada pudesse segui-lo nos dias escuros, para só então voltar a emergia à luz da paixão. Vinicius foi Orfeu em cada uma das oito vezes em que olhou para trás.

Linha do tempo – Firdária (20)
As relações entre os planetas e os aspectos da vida de Vinicius, a teia tecida no céu, que o astrólogo pretensiosamente ouve, ganha nas Firdárias a força do que houve.
É interessante perceber que Marte e Lua funcionam como um gatilho para os acidentes e acontecimentos que põe em risco sua vida. Atribuo isso ao fato do “pequeno maléfico” atuar nos termos de Mercúrio; Almutem da XII e de ter como Almutem a Lua; planeta Almutem e co-regente da Casa VIII. Já a Lua como acabei de falar é Almutem e co-regente da Casa VIII além de ter como Almutem Mercúrio. Os termos da Lua são os de Júpiter, os termos do fim.
Já Saturno – como não poderia deixar de ser, tendo em vista ser o Almutem Figuris , o vitorioso, do mapa – remete a períodos de ascensão como à criação da Bossa Nova e a produção dos Afrosambas.
1926 Firdária Saturno Sol: perde a virgindade (na verdade essa Firdária começa em julho de 27).
1932 Firdária Saturno Lua: primeiro poema publicado, assim como o primeiro livro. A poesia de Vinicius ainda está tomada pelas questões do espírito. Ainda nessa Firdária teve sua formação e carreira diplomática; Vinicius de Moraes graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933, talvez já em uma Firdária Júpiter.
1938 Firdária Júpiter Vênus: Casa-se pela primeira vez. Beatriz Azevedo de Mello, a Tati, foi a mulher com quem viveu por mais tempo.

1940 Firdária Júpiter Mercúrio: Nascimento de sua primeira filha, Suzana.

1942 Firdária Júpiter Lua: Nasce seu filho Pedro.

1945 Firdária Marte: Sofre grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro “Leonel de Marnier”, perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacyr Werneck de Castro.

1950 Firdária Marte Saturno: Casa-se, pela segunda vez, com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.

1952 Firdária Sol: Nasce sua filha Georgiana.

1955 Firdária Sol Mercúrio: Nasce sua filha Luciana.

1957 Firdária Sol Lua: No início de 1958, sofre um grave acidente de automóvel.

1958 Firdária Sol Saturno: O ano de 1958 marcaria o início de um dos movimentos mais importantes da música brasileira, a Bossa Nova. Vinicius fez aqui grandes parcerias, fazendo parte com sua poesia e música do “grupo” da Bossa Nova. Para muitos críticos o início do movimento aconteceu no lançamento, em Agosto de 1958, de um compacto simples do violonista baiano João Gilberto (considerado o papa do movimento), contendo as canções Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor). O Casa-se com Maria Lúcia Proença.

1961 Firdária Sol Marte: Inicia novas parcerias com Carlos Lira e Baden Powell. Dessas parcerias surgirão grandes sucessos.

1962 Firdária Vênus: Em 1963, inicia uma parceria que produziria grandes sucessos com Edu Lobo. Casa-se com Nelita Abreu Rocha.
1965 Firdária Vênus Lua: Vinicius de Moraes compôs, com Edu Lobo, Arrastão. A canção seria defendida por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior), realizado no Guarujá naquele mesmo ano. Era o fim (Vênus e Lua Almutem da VIII) da bossa nova e o início do que se rotularia MPB.
1966 Firdária Vênus Saturno: o antológico LP “Os Afro-sambas”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell. (Vênus Almutem da VIII, hospedada na XII e o Saturno significador de suas crenças religiosas).
1968 Firdária Vênus Marte: em 30 de abril de 69 foi afastado da carreira diplomática tendo sido aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional Número Cinco. Vive as consequências da ditadura no Brasil. Morre sua mãe.
1969 Firdária Vênus Sol: Casa-se com Cristina Gurjão, com quem tem uma filha chamada Maria.

1970 Firdária Mercúrio: Casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy, a mulher que lhe apresentaria o Candomblé. Inicia parceria com o violonista Toquinho. Toda a Firdária de Mercúrio foi marcada por viagens ao exterior. Em 1971, muda-se para Salvador, Bahia. Viaja pela Itália, numa espécie de autoexílio. (Mercúrio Almutem da Casa XII).

1974 Firdária Mercúrio Saturno: Confirmando os boatos de que o governo o perseguia, excursiona pela Europa e grava dois discos na Itália com Toquinho, em 1975.

1976 Firdária Mercúrio Júpiter: Novo casamento, agora com Marta Rodrigues Santamaria.

1978 Firdária Mercúrio Marte: Excursiona com Toquinho pela Europa. Casa-se com Gilda de Queirós Matoso. Em 1979, participa de leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), a convite do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

1980 Firdária Mercúrio Sol: No dia 17 de abril de 1980, é operado para a instalação de um dreno cerebral. Morre na manhã de 09 de julho, de edema pulmonar, em sua casa na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher. Extraviam-se os originais de seu livro O deve e o haver.
Morre em 9 de julho de 1980 em uma Firdária de Mercúrio Sol. Mercúrio que abriga seu início e seu fim.
E como se o destino brincasse com Vinicius foi Vênus que lhe segurou a mão no último momento. O prazer (Vênus) sempre lhe foi mais caro que a saúde (Vênus Almutem da VI). Vinicius fez do prazer seu cárcere; boêmio inveterado, amante do amor – viveu e morreu pela paixão.(21) O amor guardava a entrada do Hades (Vênus Almutem da VIII).

 

SAMBA DA BÊNÇÃO
1967 Baden Powell e Vinícius de Moraes, letra de Vinícius de Moraes.

“É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração / Mas pra fazer um samba com beleza / É preciso um bocado de tristeza / É preciso um bocado de tristeza / Senão, não se faz um samba não / Senão é como amar uma mulher só linda / E daí? Uma mulher tem que ter / Qualquer coisa além de beleza / Qualquer coisa de triste / Qualquer coisa que chora / Qualquer coisa que sente saudade / Um molejo de amor machucado / Uma beleza que vem da tristeza / De se saber mulher / Feita apenas para amar / Para sofrer pelo seu amor / E pra ser só perdão Fazer samba não é contar piada / E quem faz samba assim não é de nada / O bom samba é uma forma de oração / Porque o samba é a tristeza que balança / E a tristeza tem sempre uma esperança / A tristeza tem sempre uma esperança / De um dia não ser mais triste não / Feito essa gente que anda por aí / Brincando com a vida / Cuidado, companheiro! / A vida é pra valer / E não se engane não, tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado / Com certidão passada em cartório do céu / E assinado embaixo: Deus / E com firma reconhecida! / A vida não é brincadeira, amigo / A vida é arte do encontro / Embora haja tanto desencontro pela vida / Há sempre uma mulher à sua espera / Com os olhos cheios de carinho / E as mãos cheias de perdão / Ponha um pouco de amor na sua vida / Como no seu samba / Ponha um pouco de amor numa cadência / E vai ver que ninguém no mundo vence / A beleza que tem um samba, não / Porque o samba nasceu lá na Bahia / E se hoje ele é branco na poesia / Se hoje ele é branco na poesia / Ele é negro demais no coração / Eu, por exemplo, o capitão do mato / Vinicius de Moraes / Poeta e diplomata / O branco mais preto do Brasil / Na linha direta de Xangô, saravá! / A bênção, Senhora / A maior ialorixá da Bahia / Terra de Caymmi e João Gilberto / A bênção, Pixinguinha / Tu que choraste na flauta / Todas as minhas mágoas de amor / A bênção, Sinhô, a bênção, Cartola / A bênção, Ismael Silva / Sua bênção, Heitor dos Prazeres A bênção, Nelson Cavaquinho / A bênção, Geraldo Pereira / A bênção, meu bom Cyro Monteiro / Você, sobrinho de Nonô / A bênção, Noel, sua bênção, Ary / A bênção, todos os grandes / Sambistas do Brasil / Branco, preto, mulato / Lindo como a pele macia de Oxum / A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim / Parceiro e amigo querido / Que já viajaste tantas canções comigo / E ainda há tantas por viajar / A bênção, Carlinhos Lyra / Parceiro cem por cento/ Você que une a ação ao sentimento / E ao pensamento / A bênção, a bênção, Baden Powell / Amigo novo, parceiro novo / Que fizeste este samba comigo / A bênção, amigo / A bênção, maestro Moacir Santos / Não és um só, és tantos como / O meu Brasil de todos os santos / Inclusive meu São Sebastião / Saravá! A bênção, que eu vou partir / Eu vou ter que dizer adeus / Ponha um pouco de amor numa cadência / E vai ver que ninguém no mundo vence / A beleza que tem um samba, não / Porque o samba nasceu lá na Bahia / E se hoje ele é branco na poesia / Se hoje ele é branco na poesia / Ele é negro demais no coração”

 

 

(1)Referência à música “Samba da Bênção” composta em 1967 por Baden Powell e Vinícius de Moraes, sendo a letra de Vinícius de Moraes. “Eu, por exemplo, o capitão do mato / Vinicius de Moraes / Poeta e diplomata / O branco mais preto do Brasil”. A letra na íntegra está transcrita no fim do artigo.
(2)A fonte dos dados é um certificado de nascimento ou registro.                                          (3)  “Esto puedes hallarlo sabendo que los lugares principales son cinco: primeiro el del Sol, segundo el de la Luna, terceiro el lugar de la Conjunción o Prevención (Oposición) anterior a la natividad.

El cuarto grado es el Ascendente, el quinto la Parte de Fortuna, que según Ptolomeo se há de tomar siempre, de día y de noche, a partir del Sol y la Luna.
Calcula después los valores que tiene el planeta en estos cinco lugares, y el lugar de su posición, y en la hora del día de la natividad. Asigna al regente de la Casa um valor de 5 virtudes, al del honor 4, al de la triplicidade 3, cualquiera de los três que sea, al del Término 2 y al de la Faz una.
Igualmente, al que se halle en la primera Casa, dale 12 virtudes, al de la décima dale 11 virtudes, em la séptima 10, em la cuarta 9, em la undécima 8, em la quinta 7, em la segunda, 6, em la novena 5, em la octava, 4, em la terceira, 3, em la duodécima 2 y em la sexta 1 virtud.
Al señor del día has de darle 7 virtudes, al de la hora 6.
De todo ello, el planeta que tenga mayor número de virtudes será el almuten y según el número de virtudes que cada uno de los demás tiene com relación a éste, indicará su fuerza em el nativo. Los antigos que trataron de la natividad procedieron según el orden de las Casas, y no según el orden natural observado por Ptolomeo en el Tetrabiblos. Nosostros seguiremos el orden de los antiguos.” Trecho das páginas 168-169 do livro “Textos Astrológicos Medievales” de Bem Ezra.                                                                          (4)  Para o cálculo do Almutem do Almutem utiliza-se a mesma técnica apresentada por Bem Ezra, isolando-se o planeta em questão na primeira linha da tabela apresentada para obter o resultado. Para o Almutem das casas segue-se a mesma lógica utilizando o signo na cúspide da casa para o cálculo.
(5) A vida tem sempre razão. (1977) Composição: Vinícius de Moraes e Toquinho.            (6)  Canto de Ossanha composta em parceria com Baden Powell em 1966.                              (7)  Citação da página 99 da biografia “O poeta da paixão” de José Castello.
(8) Foi utilizado o cálculo noturno para Fortuna (Ascendant + Sun – Moon).
(9) De acordo com a tabela de dignidades essenciais segundo os Egípcios. Fonte: Academia Portuguesa de Astrologia. Disponível em: <http://minhateca.com.br/Mateus.DK/Documentos/Astrologia/Tabelas+de+Pesquisa+R*c3*a1pida/Dignidades+Essenciais+segundo+os+Eg*c3*adpcios+-+Academia+Portuguesa+de+Astrologia,89923127.pdf >
(10) Para viver um grande amor, composta em 1972 por Vinícius de Moraes e Toquinho. (11)  Para viver um grande amor, composta em 1972 por Vinícius de Moraes e Toquinho.
(12) Fonte: Veja, infográfico, especial Vinicius de Moraes
(13) Antiscias são pontos da roda do zodíaco que possuem a mesma quantidade de luz. Na prática, equivale dizer que há dois pontos na roda que são siameses, reflexos um do outro.                                                                                                                                                  (14)  O cálculo do posicionamento das estrelas fixas é feito projetando as estrelas na eclíptica tendo em conta sua ascensão reta e declinação. A catalogação por nome e localização atribuída às estrelas é a de Ptolomeu.
(15) Vinícius adorava ficar nú em casa; era muito comum sua mulher, ou Toquinho – quando morou com o poeta e sua esposa – chegar em casa e se deparar com Vinicius nú deitado no sofá.
(16) Disponível em:<//pt.wikipedia.org/wiki/Ariadne> .                                                            (17)  Parte do poema “Soneto de Corifeu” publicado no Livro de Sonetos em 1957.        (18)  Orfeu da Conceição é uma adaptação em forma de peça musical do mito grego de Orfeu transposto à realidade das favelas cariocas. A obra marca o encontro artístico do autor Vinicius de Moraes com Antonio Carlos Jobim que musicou todo espetáculo. O espetáculo estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1956 com cenários de Oscar Niemeyer.
(19) É interessante notar que Saturno, Almutem Figuris de Vinicius, segundo Al Biruni é “da cor de Azeviche, também negro misturado com amarelo, cor de chumbo, escuro como breu.”                                                                                                                                              (20)  A Firdária é um método de datação que divide em períodos com “governo” e “sub governo” dos 7 planetas clássicos e nodos lunares. Nesse arquivo está sendo utilizado o método de Firdária de Al Biruni. A Firdária foi calculada para um mapa noturno, o que reitera a escolha do cálculo noturno para estabelecer a fortuna do mapa.                        (21)  Faço aqui uma alusão à relação de Vinicius com o álcool. Vinicius tinha uma Vênus em Virgem regendo-lhe a VIII e hospedada na XII, a mesma de Charles Bucowiski, escritor que da mesma forma levou as últimas consequências seu prazer pela bebida e que tinha uma relação “estreita” por assim dizer com o sexo e o amor. Há também o poeta Paulo Leminski, que tem a mesma Vênus em Virgem, hospedada na VII, não Almutem, mas regente de sua morte.